A revolução tecnológica que transformou a cirurgia torácica no Vale do Paraíba
No dia 2 de outubro de 2025, o Vale do Paraíba testemunhou um marco histórico na medicina regional. Pela primeira vez, uma cirurgia torácica robótica foi realizada na região, conduzida pela equipe da Cirurgia Torácica do Vale, utilizando o sistema robótico Da Vinci X no Hospital viValle, em São José dos Campos. Este avanço consolida o Vale do Paraíba como polo de excelência em procedimentos minimamente invasivos e representa uma transformação na forma como tratamos doenças torácicas complexas.

A chegada da cirurgia robótica à região não é apenas uma conquista tecnológica – é uma promessa de cuidado mais preciso, recuperação mais rápida e melhores resultados para os pacientes que enfrentam condições como câncer de pulmão, tumores mediastinais, hiperidrose e outras patologias torácicas. Para entender a magnitude desta conquista, é importante conhecer o contexto brasileiro e os benefícios científicos comprovados da cirurgia torácica robótica.
O contexto da cirurgia robótica no Brasil
A história da cirurgia robótica no Brasil começou em 2008, quando o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, realizou o primeiro procedimento com o sistema Da Vinci no país. O Hospital Sírio-Libanês foi pioneiro na América Latina ao realizar uma cirurgia robotizada em 2000, mas foi em 2008 que a tecnologia se estabeleceu de forma definitiva, com a instalação dos primeiros robôs Da Vinci S.
Desde então, o crescimento tem sido exponencial. Atualmente, o Brasil conta com mais de 105 sistemas robóticos em operação e aumentam as possibilidades de capacitação para cirurgiões certificados utilizarem a tecnologia.
O Vale do Paraíba entra na era robótica
O Hospital viValle, em São José dos Campos, foi o primeiro da região a investir na tecnologia robótica, recebendo o sistema Da Vinci X em 2025.
O sistema Da Vinci X é uma plataforma de 4ª geração, equipada com braços robóticos mais finos e delicados, permitindo maior mobilidade e precisão. A visualização tridimensional em alta definição (3DHD) com fluorescência oferece ao cirurgião uma visão ampliada e detalhada da anatomia interna, facilitando manobras complexas em espaços reduzidos.
O que é cirurgia torácica robótica e quais são os benefícios?
Por que a cirurgia robótica é superior? A ciência responde
A cirurgia torácica robótica assistida (RATS, do inglês Robot-Assisted Thoracic Surgery) não é apenas uma evolução tecnológica – é uma transformação baseada em evidências científicas robustas. Diversas meta-análises e estudos randomizados demonstram vantagens claras da RATS em relação à cirurgia videoassistida tradicional (VATS) e à toracotomia aberta.
Um estudo publicado em 2025 comparou RATS e VATS em 712 pacientes submetidos a ressecções pulmonares. Os resultados mostraram que a RATS apresentou um número significativamente maior de linfonodos ressecados e menor tempo de internação hospitalar. Outra meta-análise de 2023 envolvendo 614 pacientes evidenciou menor perda de sangue intraoperatória no grupo RATS.
Pacientes submetidos à cirurgia robótica apresentam menor dor pós-operatória nos primeiros três dias e recuperação pulmonar superior no primeiro mês pós-operatório, com melhora significativa em parâmetros respiratórios como FEV1, FVC e capacidade vital.
A conversão para toracotomia aberta – um indicador de sucesso técnico – é menor na RATS.
RATS vs VATS: qual a diferença na prática?
Embora tanto a RATS quanto a VATS sejam técnicas minimamente invasivas, existem diferenças importantes. A VATS utiliza câmeras bidimensionais e instrumentos rígidos, enquanto a RATS oferece visão tridimensional de alta definição e braços robóticos articulados com amplitude de até 270°. Essa flexibilidade permite movimentos mais complexos, especialmente em procedimentos que exigem suturas delicadas, como broncoplastias e arterioplastias pulmonares.
Outro benefício significativo é a ergonomia. Na VATS, o cirurgião permanece em pé, olhando para monitores elevados, o que pode causar fadiga física ao longo de procedimentos extensos. Na RATS, o cirurgião opera sentado em um console ergonômico, reduzindo o estresse físico e melhorando a precisão dos movimentos.
Estudos demonstram que a RATS causa menos trauma aos nervos intercostais, resultando em menor incidência de neuralgia pós-operatória. A dor é uma preocupação central para pacientes cirúrgicos, e a redução significativa proporcionada pela RATS impacta diretamente na qualidade de vida e na adesão ao tratamento.
leia: Diferenças entre VATS e RATS
Aplicações clínicas da cirurgia torácica robótica
A RATS é indicada para uma ampla gama de condições torácicas, incluindo:
- Lobectomia pulmonar: remoção de lobos pulmonares afetados por câncer ou outras doenças
- Segmentectomia pulmonar anatômica: preservação máxima do tecido pulmonar saudável
- Timectomia: remoção do timo para tratamento de miastenia gravis e tumores tímicos
- Ressecção de tumores mediastinais: tratamento de massas no espaço entre os pulmões
- Doenças do mm. Diafragmático: tumores, eventrações e hérnia diafragmático
- Síndrome do desfiladeiro torácico: ressecção da 1º costela
A versatilidade da tecnologia permite que o cirurgião adapte a abordagem às necessidades individuais de cada paciente, sempre buscando o equilíbrio entre eficácia oncológica, preservação funcional e qualidade de vida.
O que eu como Cirurgião Torácico vejo na Cirurgia Robótica?
Em primeiro lugar, menos dor. A cirurgia robótica causa menos trauma aos tecidos e nervos, o que resulta em recuperação mais confortável. Além disso, as incisões são mínimas – falamos de cortes de 8 a 12 mm, comparados aos 20 a 30 cm de uma toracotomia aberta. Isso significa menos risco de infecção, menos sangramento e alta hospitalar mais rápida. Para pacientes com câncer de pulmão, por exemplo, conseguimos realizar ressecções oncologicamente seguras com ressecção precisa de linfonodos, o que impacta positivamente na sobrevida e no prognóstico.
Acredito que estamos apenas no começo. A experiência dos grandes centros mostra que, conforme os cirurgiões ganham proficiência, a curva de aprendizado se torna mais rápida e os resultados ainda melhores. Meu objetivo é consolidar o Vale do Paraíba como referência em cirurgia torácica minimamente invasiva, oferecendo excelência técnica e humanização no cuidado. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas nunca substitui o olhar atento e a empatia do médico.
O acesso à cirurgia robótica: convênios e SUS
Uma dúvida comum entre pacientes é sobre a cobertura dos procedimentos robóticos. No Brasil, a maioria dos planos de saúde não oferece cobertura, com o paciente pagando uma taxa adicional que varia dependendo do Hospital. Essa taxa cobre o uso do equipamento robótico e a equipe especializada.
No SUS, a cirurgia robótica ainda é restrita a poucos centros, mas a tendência é de expansão. A regulamentação pelo CFM em 2022 são sinais de que o acesso tende a se democratizar nos próximos anos.
Conclusão: o futuro é agora
A realização da primeira cirurgia torácica robótica no Vale do Paraíba não é apenas um marco técnico – é uma promessa de cuidado mais humano, preciso e eficaz. Com evidências científicas sólidas, tecnologia de ponta e profissionais altamente capacitados, a região se consolida como polo de excelência em saúde.
Se você ou um familiar enfrenta uma condição torácica e deseja saber se a cirurgia robótica é a melhor opção, agende uma consulta com o Dr. Gustavo Bandeira. A revolução tecnológica chegou ao Vale – e ela está ao seu alcance.
Referências Bibliográficas:
- Lamas FM, et al. Robotic-assisted thoracic surgery versus video-assisted thoracic surgery for lung resection: systematic review and meta-analysis. PubMed. 2025. DOI: 10.1093/pubmed/41037231
- Comparison of robot-assisted thoracic surgery versus video-assisted thoracic surgery in treatment of lung cancer: meta-analysis. Frontiers in Oncology. 2023. DOI: 10.3389/fonc.2023.1271709
- Robotic-Assisted Lobectomy Favors Early Lung Recovery versus Limited Thoracotomy. Thorac Cardiovasc Surg. 2020. DOI: 10.1055/s-0040-1715598
- Pain outcomes of outside-the-cage robotic thoracic surgery: prospective matched-cohort study. J Robot Surg. 2024. DOI: 10.1007/s11701-024-02108-0
- Tackling complex thoracic surgical operations with robotic solutions: narrative review. PMC. 2022.


