A dúvida “cirurgia robótica SUS” ou “meu convênio cobre robô?” se tornou cada vez mais comum à medida que a tecnologia se popularizou e passou a ser oferecida em centros de referência pelo país. Em 2025 e 2026, houve mudanças importantes tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde suplementar, especialmente com a incorporação da prostatectomia radical robótica para câncer de próstata. Para a cirurgia torácica robótica, o cenário é de expansão gradual, mas ainda com acesso concentrado em alguns centros públicos e filantrópicos e maior disponibilidade na rede privada.
O que já mudou: SUS e cirurgia robótica
Até 2024, a maioria das cirurgias robóticas era realizada na saúde privada, sem incorporação formal no SUS, apesar de alguns hospitais públicos de alta complexidade (como o INCA) já utilizarem robôs em urologia, ginecologia, cabeça e pescoço, abdome e tórax por meio de projetos específicos. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou a incorporação da prostatectomia radical assistida por robô para câncer de próstata localizado ou localmente avançado, o que foi oficializado por portaria do Ministério da Saúde.
Na prática, isso significa que o SUS passará a ofertar a cirurgia robótica de próstata em centros habilitados, com prazo de até 180 dias para organização da rede, definição de protocolos, centros de referência e treinamento de equipes. Estima-se que cerca de 40 plataformas robóticas já estejam em hospitais que atendem pacientes do SUS, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, o que facilita a implementação progressiva dessa tecnologia.
Para a cirurgia torácica robótica, ainda não há, em 2026, um procedimento específico formalmente incorporado ao SUS em todo o país, mas centros como o INCA e o Instituto do Câncer do Ceará já realizam ressecções pulmonares e de tumores de mediastino com apoio robótico em pacientes do SUS por meio de programas financiados (como Pronon) ou projetos de pesquisa e filantropia.
Convênios e planos de saúde: o que a ANS passou a exigir
Na saúde suplementar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, em dezembro de 2025, a inclusão da prostatectomia radical assistida por robô como o primeiro procedimento de cirurgia robótica com cobertura obrigatória pelos planos de saúde, com vigência a partir de 1º de abril de 2026. Isso vale para contratos regulamentados e planos que seguem o Rol de Procedimentos da ANS, respeitados os critérios clínicos definidos (câncer de próstata localizado ou localmente avançado).
Para outras cirurgias robóticas – como procedimentos torácicos (lobectomias, segmentectomias, timectomias para timoma) – a cobertura continua dependendo de:
- Condições do contrato do plano.
- Interpretação do rol (por equiparação a procedimentos semelhantes por vídeo).
- Entendimento do convênio diante do relatório médico justificando a via robótica.
A jurisprudência brasileira já registra decisões obrigando planos a custear cirurgias robóticas em situações de indicação médica precisa, entendendo que negar a via robótica pode ser abusivo quando o procedimento é o mais adequado para aquele caso. Contudo, cada caso é analisado individualmente, e a via administrativa (pedido formal ao plano) deve ser sempre tentada antes de medidas judiciais.
Guia prático: como solicitar cobertura da cirurgia torácica robótica
Atenção, as dicas abaixo não substituem as orientações de um advogado especialista.
- Converse com o cirurgião torácico O primeiro passo é discutir com o cirurgião se a cirurgia torácica robótica é realmente indicada no seu caso – por exemplo, em tumores de mediastino, câncer de pulmão em estágios iniciais ou deformidades torácicas complexas.
- Peça um relatório médico detalhado O relatório ideal deve descrever o diagnóstico (CID), o procedimento proposto (por exemplo, lobectomia robótica ou timectomia robótica), as razões clínicas para escolher a via robótica (melhor acesso ao mediastino, menor risco de lesão em estruturas nobres, recuperação mais rápida) e citar evidências científicas quando possível.
- Envie o pedido ao plano com documentação completa Junte o relatório, exames (TC, PET-CT, laudos de biópsia) e encaminhe ao plano de saúde por meio dos canais oficiais (portal, e-mail, protocolo físico). É importante guardar o número de protocolo e o prazo de resposta.
- Se houver negativa, peça a justificativa por escrito Caso o convênio negue a cobertura da cirurgia torácica robótica, solicite a negativa formal com a fundamentação. Muitas vezes, a negativa se baseia em “ausência de código específico” – argumento que vem sendo relativizado em decisões judiciais, principalmente após a incorporação da primeira cirurgia robótica no Rol da ANS.
- Avalie alternativas: reavaliação, mediação ou via judicial Com a negativa em mãos, o paciente pode:
- Solicitar reanálise do caso, anexando novos pareceres.
- Acionar canais de reclamação da própria ANS.
- Em último caso, consultar um advogado especializado em saúde suplementar para discutir medida judicial, sobretudo quando há urgência oncológica.
Onde a cirurgia torácica robótica já é uma realidade
No Vale do Paraíba, a Cirurgia Torácica do Vale realiza procedimentos robóticos no Hospital viValle, em São José dos Campos, com uso do sistema Da Vinci X. O site já conta com conteúdos que podem ser interligados:
Veja também
Referências:
- Ministério da Saúde / Conitec – parecer sobre prostatectomia radical robótica no SUS
- ANS – notícia oficial sobre inclusão da primeira cirurgia robótica no Rol de Procedimentos
- INCA – centro de treinamento em cirurgia robótica no SUS, com histórico de procedimentos oncológicos, incluindo tórax
- Reportagens sobre programas SUS/Pronon com cirurgias torácicas robóticas em centros como o Instituto do Câncer do Ceará
- Análises sobre expansão da cirurgia robótica no Brasil e desafios de acesso público e privado


