Rubor facial e hiperidrose: tratamento definitivo com precisão cirúrgica

Por Dr. Gustavo Bandeira

Quando corar deixa de ser normal: entendendo o rubor facial patológico

Sentir o rosto esquentar e ficar vermelho em situações de estresse, vergonha ou ansiedade é uma resposta fisiológica normal. No entanto, para mais de 40 milhões de pessoas no mundo, o rubor facial vai além – torna-se um problema incapacitante, desencadeado por estímulos mínimos e acompanhado por intenso desconforto físico e emocional.​

O rubor facial patológico está relacionado à hiperatividade do sistema nervoso simpático, que provoca dilatação exagerada dos vasos sanguíneos da face. Essa vermelhidão intensa e incontrolável pode vir acompanhada de sensação de calor intenso, taquicardia, dificuldade respiratória e ansiedade antecipatória. O impacto psicológico é devastador: baixa autoestima, isolamento social, prejuízo profissional e, em casos extremos, depressão.​

Da mesma forma, a hiperidrose – produção excessiva de suor que vai além da regulação térmica – afeta cerca de 5% da população mundial, ou seja, aproximadamente 385 milhões de pessoas. Quando localizada nas mãos, axilas, pés ou face, essa condição compromete atividades simples do cotidiano, desde dar um aperto de mão até realizar apresentações em público.​

A boa notícia? Existe tratamento definitivo. E ele está cada vez mais preciso, seguro e eficaz graças à cirurgia torácica robótica.

Rubor facial tratado com simpatectomia torácica

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Simpatectomia torácica: como funciona o tratamento definitivo

A simpatectomia torácica é um procedimento minimamente invasivo que interrompe a transmissão de impulsos nervosos ao longo da cadeia simpática torácica. Essa cadeia nervosa, localizada dentro da cavidade torácica, é responsável por controlar funções involuntárias, incluindo a dilatação dos vasos sanguíneos da face e a produção de suor pelas glândulas sudoríparas.

O procedimento pode ser realizado por videotoracoscopia, técnica que utiliza pequenas incisões de 5 a 8 mm na parede torácica para introduzir uma microcâmera e instrumentos cirúrgicos delicados. Com visualização em alta definição, o cirurgião identifica a cadeia simpática e aplica clips de titânio em níveis específicos:

  • Rubor facial e/ou hiperidrose crânio-facial: clips em T2 (segundo gânglio torácico)
  • Hiperidrose palmar: clips em T3 (terceiro gânglio torácico)​
  • Hiperidrose axilar: clips em T4 (quarto gânglio torácico)​

A técnica de clampeamento com clips de titânio traz um diferencial crucial: possibilidade de reversibilidade. Caso o paciente desenvolva hiperidrose compensatória importante (suor excessivo em outras regiões), os clips podem ser removidos, tendo a possibilidade de reverter o procedimento. Essa característica oferece segurança adicional e tranquilidade aos pacientes.​

O procedimento: passo a passo

1. Pré-operatório:

Avaliação clínica detalhada, exames complementares podem ser solicitados (radiografia de tórax, provas de função pulmonar) e esclarecimento de dúvidas. O cirurgião explica expectativas realistas, possíveis efeitos colaterais e protocolo de recuperação.

2. Anestesia:

Anestesia geral 

3. Acesso cirúrgico:

São realizadas 2 pequenas incisões de 5-8 mm em cada hemitórax (procedimento bilateral). Através dessas incisões, o cirurgião introduz a câmera robótica de alta definição e os instrumentos articulados.

4. Identificação da cadeia simpática:

Com visão tridimensional ampliada, o cirurgião localiza a cadeia simpática torácica e identifica o gânglio ou ramo nervoso alvo (T2 para rubor facial e hiperidrose crânio-facial, T3 para hiperidrose palmar e T4 para hiperidrose axilar).

5. Clampeamento seletivo:

Clips de titânio são aplicados com precisão milimétrica, interrompendo os impulsos nervosos sem ressecção do nervo principal. Essa seletividade preserva funções adjacentes e reduz riscos de efeitos colaterais.

6. Verificação e fechamento:

Após confirmar o posicionamento correto dos clips e ausência de sangramento, os instrumentos são removidos e as incisões são fechadas com suturas absorvíveis ou adesivo cirúrgico.

  • Duração: aproximadamente 1 hora​
  • Internação: 12-24 horas, com possibilidade de alta no mesmo dia
  • Recuperação: retorno às atividades leves em 7 dias, atividades físicas intensas após 2-3 semanas​

Vídeo técnico: simpatectomia em ação

Rubor facial e hiperidrose: tratamento definitivo com precisão cirúrgica - simpatectomia video1170

Neste vídeo, o Dr. Gustavo Bandeira mostra na prática como é feita a Simpatectomia por Vídeo:

Efeitos colaterais e como minimizá-los

1. Hiperidrose compensatória

Consiste em leve aumento de suor em regiões como abdômen, costas ou coxas. Na maioria dos casos, é bem tolerado e preferível ao suor palmar/axilar ou rubor facial original. A técnica de clampeamento reversível permite remoção dos clips caso a hiperidrose compensatória seja significativa.

2. Síndrome de Horner

Caracterizada por ptose palpebral (queda da pálpebra), miose (pupila contraída) e anidrose facial (ausência de suor). É rara (< 1%) quando o procedimento é realizado por cirurgião experiente, especialmente com abordagem robótica que oferece visualização superior.

3. Pneumotórax

Acúmulo de ar na cavidade pleural. É raro e geralmente autolimitado, resolvendo-se espontaneamente ou com drenagem torácica temporária.​

Opções conservadoras: quando são indicadas?

Antes de considerar a cirurgia, é importante explorar alternativas conservadoras, especialmente em casos leves a moderados:

1. Toxina botulínica

Eficaz para hiperidrose axilar isolada. A duração é de aproximadamente 6 meses, sendo necessárias reaplicações periódicas. Para hiperidrose palmar, a aplicação é mais dolorosa e menos procurada.

2. Géis tópicos

Formulações manipuladas com cloreto de alumínio, glicopirrônio ou oxibutinina podem reduzir a transpiração craniofacial. Requerem aplicação contínua e apresentam eficácia variável.

3. Betabloqueadores

Medicações orais (propranolol, atenolol) ou tópicas podem modular a resposta do sistema simpático. Úteis para rubor leve, mas com eficácia limitada em casos severos.​

Procedimentos minimamente invasivos para simpatectomia

Quem pode se beneficiar da simpatectomia torácica por VATS?

Indicações:

  • Hiperidrose palmar, axilar ou crânio-facial (sem causa subjacente) refratária a tratamentos conservadores
  • Rubor facial incapacitante com hiperatividade do sistema nervoso simpático

Contraindicações:

  • Hiperidrose secundária (causada por hipertireoidismo, menopausa, medicamentos, etc.) – tratar a causa subjacente
  • Hiperidrose generalizada (não localizada)
  • Doenças pulmonares graves (enfisema avançado, fibrose pulmonar extensa)
  • Cirurgia torácica prévia com aderências pleuras severas
  • Coagulopatias não controladas

Recuperação de confiança e qualidade de vida

Rubor facial e hiperidrose não são “frescura” ou “questão psicológica” – são condições médicas reais com tratamento definitivo. A simpatectomia torácica, especialmente quando realizada com precisão robótica, oferece taxas de sucesso superiores a 90%, com perfil de segurança favorável e possibilidade de reversão caso necessário.

Se você sofre com suor excessivo localizado ou vermelhidão facial incontrolável, saiba que existe solução. O primeiro passo é consultar um cirurgião torácico especializado para avaliação individualizada.

Agende uma consulta com o Dr. Gustavo Bandeira e descubra como a tecnologia robótica pode transformar sua vida.

Referências Bibliográficas:

  1. Ravendran K, et al. Robotic Sympathectomy for Hyperhidrosis. Cureus. 2023;15(1):e33737. DOI: 10.7759/cureus.33737
  2. Coveliers H, et al. Robotic selective postganglionic thoracic sympathectomy for the treatment of hyperhidrosis. J Laparoendosc Adv Surg Tech A. 2013;23(3):274-8. DOI: 10.1089/lap.2012.0178
  3. Thoracic Surgery Ireland. Robotic highly selective sympathectomy for hyperhidrosis and facial blushing. 2022. Disponível em: https://thoracicsurgeryireland.com/robotic-sympathectomy/

Dr. Gustavo Bandeira - Cirurgião Torácico Robótico

Dr. Gustavo Bandeira

Cirurgião torácico com especialidade em Cirurgia Torácica Robótica

Sou cirurgião torácico com pós-graduação internacional em Cirurgia Torácica Robótica, pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa. Eu atuo na região de São José dos Campos, no interior de São Paulo, e acumulo mais de 20 anos de experiência na área médica, me especializando na realização de cirurgias e procedimentos diagnósticos de última geração com atendimento humano, especializado e confiável.