VATS vs RATS – Qual a melhor técnica para seu caso?

Por Dr. Gustavo Bandeira

A cirurgia torácica minimamente invasiva revolucionou o tratamento de doenças pulmonares e torácicas nos últimos anos. Se você foi diagnosticado com câncer de pulmão, nódulos pulmonares ou outras condições que exigem intervenção cirúrgica, provavelmente já ouviu falar em VATS e RATS. Mas afinal, qual é a diferença entre essas técnicas? E mais importante: qual é a melhor opção para o seu caso?

Vamos esclarecer essas dúvidas de forma clara e objetiva, baseando-nos em evidências científicas atualizadas.


O que são VATS e RATS?

VATS (Video-Assisted Thoracic Surgery ou Cirurgia Torácica Videoassistida) é uma técnica minimamente invasiva consolidada há décadas. O cirurgião utiliza câmeras bidimensionais e instrumentos rígidos inseridos através de pequenas incisões no tórax, visualizando o procedimento em monitores externos.

RATS (Robot-Assisted Thoracic Surgery ou Cirurgia Torácica Robótica) representa a evolução mais recente da cirurgia minimamente invasiva. Utiliza o sistema robótico Da Vinci, que oferece visão tridimensional em alta definição e braços robóticos articulados com amplitude de até 270°, permitindo movimentos mais precisos e complexos.

Ambas as técnicas eliminam a necessidade de toracotomia aberta (grandes cortes no tórax), proporcionando menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e melhor resultado estético.

Diferenças técnicas fundamentais

Visualização e instrumentação

A principal diferença técnica está na visualização. Enquanto a VATS oferece imagens bidimensionais que podem limitar a percepção de profundidade, a RATS proporciona visão 3D de alta definição, comparável à visão humana natural.

Os instrumentos também diferem significativamente. Na VATS, os instrumentos são rígidos e limitados em movimentação. Na RATS, os braços robóticos possuem articulações extremamente móveis (endowrist), facilitando procedimentos complexos como broncoplastias e arterioplastias pulmonares.

Ergonomia do cirurgião


Durante a VATS, o cirurgião permanece em pé ao lado do paciente, olhando para monitores elevados, o que tende a causar fadiga física em alguns procedimentos. Na RATS, o cirurgião opera sentado em um console ergonômico, reduzindo o estresse físico e potencialmente melhorando a precisão cirúrgica.


O que dizem as evidências científicas?

Estudos científicos recentes comparam objetivamente os resultados dessas duas técnicas. Vou resumir aqui, e no final do texto vou deixar as fontes fontes dados:

  1. Taxa de conversão para cirurgia aberta: Meta-análises demonstram que a RATS apresenta taxas significativamente menores de conversão para toracotomia (6,3% vs 13,1% na VATS). Isso significa maior probabilidade de completar o procedimento de forma minimamente invasiva.
  2. Dissecção linfonodal: A RATS permite ressecção mais completa de linfonodos, fundamental no tratamento oncológico. Estudos mostram que a RATS acessa em média 7,5 estações linfonodais versus 5,6 na VATS. Outra pesquisa identificou dissecção de 9,4 linfonodos na RATS contra 8,3 na VATS.
  3. Sangramento intraoperatório: A RATS está associada a menor perda sanguínea durante a cirurgia, com redução média de 17,14 mL comparada à VATS.
  4. Dor pós-operatória: A RATS causa menos trauma aos nervos intercostais, resultando em menor incidência de neuralgia pós-operatória e dor significativamente reduzida nos primeiros três dias após a cirurgia.
  5. Tempo de internação: Pacientes submetidos à RATS apresentam menor tempo de hospitalização (4,0 vs 4,3 dias).
  6. Complicações: Ambas as técnicas demonstram taxas similares de complicações perioperatórias, como pneumotórax e infecções.
  7. Tempo cirúrgico e custo: A VATS apresenta vantagens em tempo operatório (mediana de 214 minutos vs 241 minutos na RATS) e custo (USD 17.874 vs USD 22.582).

Como escolher a melhor técnica?

A decisão não é simplesmente “qual é melhor”, mas sim qual é mais adequada para o seu caso específico. Diversos fatores devem ser considerados:

FatorVATSRATS
Complexidade do casoIndicada para casos menos complexosSuperior em casos anatomicamente desafiadores
Tipo de procedimentoEficaz em lobectomias convencionaisIdeal para broncoplastias, arterioplastias
DisponibilidadeAmplamente disponívelDisponível em centros especializados
CustoMais acessívelInvestimento maior
Precisão oncológicaEficazDissecção linfonodal mais completa
RecuperaçãoRápidaAinda mais rápida, menos dor

Ver também: Cirurgia Robotica por video

A decisão deve ser individualizada

Não existe uma resposta única para todos. A escolha entre VATS e RATS deve considerar:

  • Características anatômicas do seu caso
  • Tipo e localização da lesão
  • Necessidade de procedimentos complexos (reconstruções brônquicas ou vasculares)
  • Experiência da equipe cirúrgica
  • Disponibilidade tecnológica
  • Aspectos financeiros

Ambas as técnicas são seguras, eficazes e representam avanços extraordinários comparados à cirurgia aberta tradicional. O mais importante é que você seja operado por uma equipe experiente em cirurgia torácica minimamente invasiva, capaz de oferecer a melhor opção para sua situação específica.

Referências científicas:

  1. Yang CJ, Kumar A, et al. A national analysis of short-term outcomes and long-term survival following robotic versus thoracoscopic lobectomy for clinical stage I non-small-cell lung cancer. Ann Surg. 2023.
  2. Braga Regagnin, J., Patrício da Silva, F., Forastieri Pinto, G., & Deluca de Souza, C. (2025). CIRURGIA ROBÓTICA VERSUS VATS NO CÂNCER DE PULMÃO DE CÉLULAS NÃO PEQUENAS: EVIDÊNCIAS ATUAIS E CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS NA ABORDAGEM MINIMAMENTE INVASIVA. Revista Pulmão, 33(3)
  3. Zirafa CC, Aprile V, et al. Nodal upstaging and survival in robotic versus video-assisted lobectomy for non-small cell lung cancer. Ann Cardiothorac Surg. 2023;12(4):317-330.
  4. Li C, Hu Y, et al. Comparison of robot-assisted thoracic surgery versus video-assisted thoracic surgery in lung cancer treatment: systematic review and meta-analysis. Front Oncol. 2023;13:1271709.
  5. Zhang Y, Chen C, et al. Robotic-Assisted Thoracoscopic Surgery Versus Video-Assisted Thoracoscopic Surgery: early-stage NSCLC comparison. J Thorac Dis. 2025;17(4):1234-1245.

Dr. Gustavo Bandeira - Cirurgião Torácico Robótico

Dr. Gustavo Bandeira

Cirurgião torácico com especialidade em Cirurgia Torácica Robótica

Sou cirurgião torácico com pós-graduação internacional em Cirurgia Torácica Robótica, pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa. Eu atuo na região de São José dos Campos, no interior de São Paulo, e acumulo mais de 20 anos de experiência na área médica, me especializando na realização de cirurgias e procedimentos diagnósticos de última geração com atendimento humano, especializado e confiável.